Conheça alguns dos diretores do Fucking Different

Cena de Flaca

O projeto que estará na tela do CineclubeLGBT do dia 30 de abril propõe revelar o que se passa na cabeça de diretoras e diretores sobre o amor entre iguais. Criado por Kristien Petersen em Berlim, o Fucking Different passou por Nova Iorque e Tel Aviv, até aportar em São Paulo. No Brasil o projeto se fortificou, tendo 12 cineastas dispostos a retratar a vida de gays e lésbicas de uma maneira diferente do abordado pela grande mídia.

Diretor do curta “Casa”, René Guerra, incumbido de representar o universo lésbico, encontrou dificuldade de fugir dos clichês de representação:“A importância desse projeto  foi o de perceber que mesmo eu sendo gay, a representação do meu universo de forma cinematográfica não está livre de encontrar os velhos estereótipos e que é de suma importância para o cineasta, fugir deles, ou pelo menos assumir que é impossível fugir dessas representações rasas”, confessa o diretor, que acredita ter superado o desafia através da sutileza.

A atriz Silvia Lourenço teve sua estréia como diretora no projeto. Em seu curta “Under the Skin”, Silvia filmou a história do soropositivo Miguel, que se abriu por inteiro à diretora, tocando em delicadas questões como amor e sexo. A produção ficou um mês montando o material, que bruto possuía cinco horas, e resultou nos 7 minutos do documentário. “Foi muito duro de fazer, já que havia muita coisa bacana pra ser contada, o que tornou o processo de seleção do que entraria no filme bastante sofrido, mas no final deu tudo certo”, revela Sílvia.

Dificuldades foram encontradas por todos os diretores. A começar pelo curto orçamento de até 200 euros que limitava as ações. No caso de “Felizes para Sempre”, Rick Mastro entrevistou 15 casais lésbicos, escolhidos de 200 cadastrados. Mas só encontrou a Lígia e Lu, personagens de filme, no momento em que quase desistia da produção. “Foi paixão a primeira vista e assim que o filme nasceu”, comenta Mastro.

Ligia e Lu em cena de "Felizes para Sempre"

Inspirado pela memória, Herman Barck compôs seu curta “Flaca”, “Nos anos 60, indo à escola primária em Montevideo, ví uma mulher vestida à caráter, de terno e gravata e chapéu, uma crossdresser. Na minha mente infantil fiquei a imaginar ela/ele dançando um tango com outra mulher”, relembra Barck. Com roteiro criado em cinco minutos e selecionado pelo projeto, iniciou-se a correria para a produção. “Um amigo meu recomendou uma bailarina que trouxe outra juntamente com o coreógrafo, e aos poucos um a coisa foi puxando a outra e acabei arregimentado 16 pessoas ao projeto”.

Ousadia não falta nas produções do Fucking Different São Paulo. Max Julian, assina o “Ronda”, onde propõe “elaborar algo no limite entre o erótico/sensual e o pornô”, define Julian. Desafio esse que pôde ser enfrentado pelo diretor que já trabalhou em produções de vídeos gays adultos. O curta homenageia o filme “Noite Vazia” de Walter Hugo Khoury, de 1964. “Ronda” instiga e analisa a fantasia de homens por mulheres transando. “O que está nas telas é o conjunto de soluções para as situações imprevistas”, confessa o diretor, que durante a produção enfrentou diversas dificuldades com a locação e a te com o sumiço do ator inicialmente escalado.

1972 de "Triologia": amor através dos tempos

Mônica Pallazzo, não contente com apenas um curta, produziu “Triologia”. “A idéia inicial era a de um curta contanto uma história sobre eternidade e arte ao longo dos tempos, e para tanto, a história se passa em 3 épocas diferentes”, explica a diretora. Os curtas foram montados separadamente e cada um exigiu diferentes abordagens.

O público do 60º  Festival de Cinema de Berlim já pôde conferir a produção. E aí? Vai Perder? Então, no dia 30 de Abril, no Cine Odeon, não percam o Fucking Different São Paulo. Esperamos por você lá.

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